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Notícias


Por Marina Mezzacappa
10/10/2007

Medicamentos antidepressivos administrados a pessoas consideradas normais podem alterar  humor e comportamento, provocando sensação de bem-estar mesmo que a pessoa não tenha depressão. Isso é o que revelam os dados preliminares do estudo realizado pela equipe da professora Clarice Gorenstein, do Instituto de Ciências Biomédicas, da Universidade de São Paulo. Para Rubens Coura, psicanalista e psiquiatra, a pesquisa da USP confirma o que ele já constatava em sua clínica, ainda que a corrente médica dominante pense o contrário. “O uso de antidepressivo não tem como indicar se a pessoa é deprimida ou não, pois ele eleva o humor de qualquer pessoa”, afirma. “Os antidepressivos não são um normalizador do humor, e sim um elevador do humor”, enfatiza.

 

O grupo de Gorenstein, que já vem estudando esses efeitos desde 1998, observou diminuição da irritabilidade e tensão nas interações sociais, aumento da sensação de bem estar, mudança na tolerância, desempenho, concentração, sensação de confiança, de eficiência cognitiva, de melhora na tomada de decisões e na habilidade de priorizar demandas em voluntários que receberam baixas doses de clomipramina. “Cerca de 30% das pessoas saudáveis que tomam o antidepressivo vão ter esse tipo de resposta”, revela Clarice. A mudança foi relatada não só pelos próprios voluntários, mas também por pessoas próximas è eles, além de serem constatadas através de acompanhamento psicológico.

 

A pesquisadora faz questão de lembrar que, observar essas mudanças tem como intuito apenas gerar conhecimento científico. “Não estamos preconizando o uso para quem não tem necessidade”, enfatiza Clarice, descartando a psiquiatria cosmética como finalidade.

 

A clomipramina, princípio ativo utilizado no estudo, é um dos mais antigos antidepressivos no mercado. No Brasil, é encontrado em medicamento de marca e também em genéricos. Sua utilização no estudo deveu-se a experiência prévia do grupo com relatos de efeitos extra-terapêuticos obtidos com a droga.

 

Em estudos anteriores, pacientes com síndrome do pânico tratados com baixas e médias dosagens do princípio ativo relataram mudanças inesperadas em seu estado de humor. Segundo eles, os antidepressivos os deixavam ainda mais dispostos do que antes de estarem doentes. De acordo com esses relatos e o atual estudo, os antidepressivos afetariam o humor das pessoas independente da presença de psicopatologias.

 

Os resultados preliminares do estudo foram publicados em carta aos editores na edição de junho do Journal of Clinical Psychopharmacology. Financiada pela Fapesp, a pesquisa ainda está recrutando voluntários. Parte do princípio ativo usado no estudo foi doado pela Novartis, empresa produtora do medicamento de marca.

 

Normalidade?

 

“Nossos critérios de inclusão de voluntários na pesquisa são muito rígidos”, explica Clarice. Os voluntários selecionados são pessoas saudáveis do ponto de vista clínico e mental, que não apresentam queixas ou sintomas e não têm histórico pessoal ou familiar de qualquer tipo de alteração psiquiátrica.

 

A triagem dos voluntários conta com um questionário, entrevista psiquiátrica, questionário de histórico familiar, exames laboratoriais, eletrocardiograma e exames físicos. Os voluntários também não podem ter nenhuma doença crônica, doença de absorção, presente ou passada, ou obesidade.

 

A captação de voluntários para a pesquisa se deu através de divulgação na mídia leiga. Descritos na pesquisa como saudáveis ou normais, os voluntários fazem parte de uma seleta parcela da população. “Na verdade, dentro da normalidade eles não estão”, brinca Clarice, ao revelar que das duas mil pessoas que se voluntariaram até o momento, apenas 200, ou seja, 10%, foram consideradas aptas.

 

Construção social

 

“Normalidade é uma construção social”, afirma o sociólogo Daniel Pereira Andrade que está desenvolvendo na USP a pesquisa “Da melancolia à depressão” e faz parte do grupo de pesquisa “Sintoma Social”.  

Segundo Andrade, que discute os novos sintomas psíquicos do ponto de vista sociológico, o controle afetivo das pessoas que impera na sociedade atual cria uma nova forma de normalização na qual são supervalorizados a iniciativa, o consumo e a diversão. “O tipo de pessoa que nossa sociedade precisa é aquela que está disponível para novas experiências”,  o que a depressão impediria.

 

Rubens Coura pensa de maneira semelhante. Nos últimos vinte anos, segundo ele, vem havendo um uso indiscriminado dos antidepressivos, fato que atribui à ideologia da qualidade total. “Você tem que estar sempre jovem, belo, saudável, feliz”. Quem não se enquadra perfeitamente nesse ideal se sente deslocado, é visto como “depressivo” pela sociedade e acaba recorrendo à medicação.

 

O antropólogo francês David Le Breton analisa essa fabricação psicofarmacológica de si e do corpo em seu livro Adeus ao corpo: antropologia e sociedade, publicado no Brasil em 2003. Para ele, o corpo e o próprio comportamento das pessoas passa a ser uma matéria-prima modelável para se submeter ao design do momento. Para se enquadrar na sociedade, a pessoa poderia realizar uma modelação química de seus comportamentos e de sua afetividade através da medicalização do humor cotidiano.

 

Para Coura, o grande problema dos antidepressivos, que pode ser prescrito pelos mais diversos especialistas, é esse uso indevido ou abusivo. “Muitos médicos e pacientes confundem angústia e depressão”, lembra Coura. Ele também salienta a importância do acompanhamento constante do paciente. “Sem acompanhamento, além de ficar mais sociável, falante, desinibida, a pessoa pode estar ficando mais superficial. Ela tende a superficializar-se”. Ainda que reticente quanto ao mau uso dos fármacos, Coura recorda que “os antidepressivos podem ajudar, e certamente ajudam, muita gente”.

http://www.comciencia.br/comciencia/?section=3&noticia=336