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Por Luiz Paulo Juttel
28/01/2008

Se você possui algum parente que seja acometido por constantes pensamentos indesejáveis, como medo de contaminação, ou que verifica se trancou a porta de casa 30 vezes por noite, saiba que sua predisposição a desenvolver Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) aumenta em até cinco vezes mais que o normal (que varia entre 2 e 3% da população mundial). Que esta doença possui influências genéticas é algo sabido desde 1980. No entanto, como até os dias de hoje não se conseguiu identificar o gene desencadeador do transtorno, pesquisadores britânicos decidiram estudar, desta vez, não os genes, mas os efeitos que estes causam à estrutura cerebral de pacientes com TOC e de seus familiares.

Graças à aplicação de um teste computadorizado que mede a habilidade de supressão de atividade motora e à utilização de um equipamento de ressonância magnética, a equipe da Unidade de Mapeamento Cerebral da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, descobriu que o volume de massa cinzenta em regiões importantes à supressão de ações e hábitos, como o córtex orbitofrontal, cingulado e parietal das pessoas com TOC e de seus familiares, é divergente das pessoas saudáveis. Além disso, tal grupo de indivíduos também tem maior dificuldade em interromper ações e comportamentos repetitivos do que o restante da população.

O estudo referido acima foi aplicado em 31 pacientes com TOC, 31 familiares de primeiro grau (irmãos, primos, filhos) e 31 pessoas saudáveis. Os resultados foram publicados no periódico inglês Brain no mês passado (vol. 130).

Para Lara Menzies, uma das coordenadoras do estudo, as diferenças morfológicas que a pesquisa encontrou nas pessoas com TOC e em seus familiares determinam um fator de risco genético desencadeador da doença. Além disso, os pesquisadores de Cambridge acreditam que essas “marcas” biológicas encontradas por eles podem contribuir, futuramente, para a criação de medidas objetivas de diagnóstico do transtorno. Já que hoje em dia o diagnóstico desse transtorno se dá unicamente através da avaliação clínica feita por psiquiatras.

Entretanto, se por um lado podemos estar diante de uma descoberta importante para o melhor conhecimento da ação do TOC no cérebro, por outro fica uma pergunta a ser respondida. Por que uma pessoa desenvolve TOC e um familiar próximo, com semelhante estrutura cerebral e habilidade de supressão de atividades repetitivas, não? Segundo a professora do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), Ana Hounie, “ainda não se sabe ao certo o que realmente desencadeia o TOC. Podem ser tanto aspectos físicos quanto psicológicos, traumas, etc.”. Há inclusive quem ligue o surgimento desse transtorno ao temperamento da pessoa. Pacientes medrosos, ou que se arriscam mais, estariam mais predispostos a desenvolver o transtorno.

“O que na verdade essa pesquisa de Cambridge mostra é que possuir menos massa cinzenta nas regiões X ou Y é uma característica que torna a pessoa suscetível a ter o transtorno. Isto aumenta a chance, mas não significa que a pessoa terá TOC”, enfatiza Hounie. É preciso estudar os demais fatores de risco.

Além disso, é necessário destacar que dentro do TOC, existem pelo menos cinco subdivisões: o lavador (de mãos, por exemplo), o verificador (aquele que checa a fechadura repetidas vezes), o obsessivo por organização e o colecionista. “Há estudos que dizem que estes tipos de TOC ativam diferentes zonas cerebrais. Devido a isso, 31 pacientes é um número pequeno de indivíduos para compor uma pesquisa como esta. O artigo também não especifica quantos dos pacientes envolvidos no estudo são do tipo lavador, quantos são do tipo verificador”, afirma o professor do Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Aristides Cordioli.

Endofenótipo

O TOC é uma doença de herança poligênica. “Temos um grande número de genes candidatos sendo estudados no momento, inclusive no Brasil”, diz Cordioli. No entanto, Ana Hounie salienta que a genética das doenças psiquiátricas é algo complexo, os resultados dos estudos costumam ser controversos. “O trabalho de uma equipe de pesquisadores muitas vezes não consegue os mesmos resultados ao ser reproduzido por outra”, completa.

Como alternativa para esta situação, cientistas do mundo todo iniciaram a partir de 1960 estudos com os endofenótipos dessas doenças. Endofenótipo é uma característica estrutural interna de nosso organismo que não pode ser observada a olho nu (diferentemente de fenótipo). “Eles são geneticamente determinados, enquanto os fenótipos sofrem influências culturais”, explica Hounie.

As alterações no volume de neurônios dos pacientes com TOC é um endofenótipo que talvez contribua para o maior conhecimento desta doença que possui influências genéticas. A grande vantagem do estudo dos endofenótipos nestes casos é que eles são facilmente detectados através de testes neuropsicológicos, exames de sangue, ultra-som ou neuroimagem.

O próprio artigo publicado pela equipe de Cambridge comenta que a maioria das doenças psiquiátricas é altamente hereditária, mas que décadas de pesquisas sobre seus genes causadores obtiveram resultados pífios. Quem sabe não serão os endofenótipos os responsáveis pelas principais descobertas dos próximos anos nesta área de pesquisa?