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Crônica: ENVELHECER NA CIDADE DE SÃO PAULO

SOB VÁRIOS PONTOS DE VISTA

 

 

Em primeiro lugar, falar sobre a cidade de São Paulo é uma coisa muito difícil, pois podemos vê-la e analisá-la sob vários pontos de vista. Positivos e negativos.

Podemos falar de São Paulo sob ponto de vista arquitetônico, filosófico, social, cultural, econômico e tantos outros.

São Paulo é uma cidade muito complexa, contraditória e ao mesmo tempo apaixonante.

Fui buscar nos textos de 3 alunas da Faculdade Aberta para a Terceira Idade “Costa Braga” uma forma de ver como é envelhecer na cidade de São Paulo, pois acho que é a maneira mais real de se falar sob a ótica de alguém que aqui envelhece.

As três autoras moram na zona sul de São Paulo, duas no bairro do Brooklin  e uma na Granja Julieta, que são bairros vizinhos.

Utilizei também uma pesquisa que realizei aqui na cidade junto aos idosos a respeito dos transportes coletivos.

Fiz um paralelo utilizando os textos e a pesquisa para poder chegar o mais perto possível da realidade dos olhares dos idosos a respeito de envelhecer na cidade de São Paulo.

 

 

TEXTOS

 

 

Bom dia,

São Paulo!

 

As cidades têm suas características, seu ritmo, sua alma. São Paulo, capital do trabalho, acorda antes da aurora.

Passos ecoam nas ruas de terra batida: são os trabalhadores que iniciam a jornada andando a pé, para economizar. Pouco tempo depois dos andarilhos, os ônibus já trafegam lotados.

O centro desperta! Catadores de papel com seus fardos, faxineiros, camelôs  e um ou outro boêmio retardatário.

Cafés com garçons sonolentos atendem fregueses do “pingado” ou da “caninha”, para esquentar.

Com um ou dois passageiros, carros correm pelas avenidas, que logo mais estarão congestionados. Mães se apressam para entregar as crianças nos colégios.

Fábricas, hospitais, escritórios, escolas, lojas e supermercados, tudo funciona, trepida e palpita! A poluição já está no ar.

Parques e praças se animam com os praticantes do “cooper” que são os primeiros a pisar as alamedas orvalhadas. Crianças com carrinhos e velocípedes são uma festa para os olhos. Aposentados conversam, aguardando o sol.

Cada qual, apesar das dificuldades, da angústia, do medo, confia no futuro e se orgulha de sua cidade.

São Paulo, capital do trabalho e também da esperança.

 

Autora: Glória Porto Kok

Livro: Verso e Prosa

 

 

Além da Minha Janela

 

Todos as manhãs olho pela minha janela como será o dia, se ensolarado ou se chove, enxergo até a linha do horizonte, até onde as casas se tornam minúsculas num aglomerado por causa da distância, um prédio de apartamento aqui, acolá.

Bem mais perto o Centro Empresarial, hotel Transamérica, Faculdade Costa Braga, prédios imponentes de algumas empresas, mas também vejo verde, muito verde, casas lindas, grandes com suas piscinas, seus belos jardins  bem tratados, carros importados, tudo de muito bom gosto.

Estamos numa região privilegiada da nossa São Paulo onde a maioria tem conforto, ruas arborizadas, boas escolas e boa mesa. Mas um pouco além, onde meus olhos já não alcançam começa a outra São Paulo com suas favelas, bairros como Capão Redondo, Rio Bonito, Jardim Angela e muitos outros onde a violência e a pobreza imperam. Onde crianças não têm escola, moram com suas mães e companheiros na maioria das vezes num quarto apertado que não sei como sobrevivem em tal situação. À noite, nem os adultos podem sair de casa, pois a violência não deixa com seus tiros matando gente trabalhadora e bandidos também.

Como será viver numa região dessas? Conseguem acreditar em Deus que aparentemente parece tão injusto? Por incrível que pareça conseguem sim, com coragem, como são fortes! Acreditam em Deus sim, vão à igreja de suas religiões e sonham.

Cidade de São Paulo que vejo da minha janela com seu contrastes tão gritantes mas ao mesmo tempo tão bela, imponente, respeitada por toda nação como a maior cidade da América Latina.

 

Autora: Maria Aparecida Barros Ishimura 

Livro: Ladeira das Muitas Memórias

 

Pichação

 

Que tristeza. Passam-se os dias, meses, anos e a situação continua a mesma. Ninguém respeita ninguém, nem o patrimônio alheio. É a certeza da impunidade.

Hoje uma sensação de impotência me invade e eu estou triste. Até o dia nublado colabora eu me sentir assim.

A cidade está pichada, suja, feia, insegura e poluída. E eu gosto tanto de São Paulo, com sua agitação e progresso.

Saudosista, quero retroceder ao tempo quando era possível caminhar nas ruas com tranqüilidade, segurança e respeito.

Quem sabe ainda chego lá.

 

Autora: Adele Monari  

Livro: Ladeira das Muitas MemóriasANÁLISE

 

Nos textos “Além da minha janela” e “Bom dia São Paulo!” as autoras conseguem perceber duas São Paulo.

Uma São Paulo “contaminada” e a outra “sã”. Essas pessoas moram na parte sã, na parte privilegiada, mas não perdem de vista, mesmo seus olhos não alcançando, a parte contaminada. Como no filme “A cidade e o corpo”. Elas têm consciência da exclusão que ocorre na cidade mas não deixam de gostar dela, apesar dos contrastes gritantes, como elas mesmo dizem. A cidade é gritante, mas não perde a beleza

A cidade tem vida, movimento, corre-corre, poluição, congestionamento, falta de humanização, mas mesmo assim, elas ainda enxergam a natureza, o verde, os carros, o bom gosto, a fé, a esperança, a criança e o aposentado. É a cidade dos contrastes.

As autoras dos textos envelhecem na cidade, mas estão atualizadas, conscientes dos acontecimentos que nela ocorrem. Confiam no futuro e se orgulham da cidade, não parecendo saudosistas.

Parecem adaptadas à nova realidade da cidade. Sabem que ela já não é a mesma de tempos atrás e que, por mais que queiram, nunca será igual, pois o tempo não volta.

Já no texto “Pichação” a autora ainda tem esperança do tempo voltar a ser como era: tranqüilo, seguro e a pessoa ser respeitada. Parece não fazer parte da São Paulo atual.

Analisando os dados a respeito do uso do transporte coletivo, podemos observar que a grande queixa está em relação à inadequação das escadas dos ônibus e a falta de educação e impaciência dos motoristas e cobradores.

Os idosos reclamam a falta de respeito dos motoristas. Estes não respeitam os idosos nem pelos cabelos brancos, nem pela aparência, nem quando mostram a carteira de identidade.

Os motoristas não tem disciplina, não param nos pontos (muitas vezes até com o ônibus vazio) e quando param, fazem cara feia para o idoso subir, não tendo paciência de esperá-lo, reclamando que são lerdos, esquecendo-se que um dia também serão idosos. Dizem também que os motoristas fazem paradas bruscas, correm muito e não sabem dar informações.

Quanto aos passageiros, reclamam que os mesmos também não os respeitam, muitas vezes sentando no lugar reservado para eles, fingindo “dormir”, “não perceber” o desenho estampado no local, e muitas vezes, até mesmo discutindo com o idoso.

Os idosos acham que falta planejamento de horário na circulação dos ônibus; o número de ônibus é inadequado; os ônibus são velhos, gastos e acabados e não tem estrutura para os idosos e deficientes; é necessário maior número de trem e metrô. Os motoristas e cobradores deveriam ser treinados e preparados para atender o idoso e o deficiente (e o público em geral).

Daí ter sido realizado a pesquisa e encaminhado ao Vereador José Eduardo Cardozo.

Juntando os textos “Além da minha janela” e “Bom dia São Paulo!” com a pesquisa “Os meios de transportes na cidade de São Paulo”, podemos concluir o quanto as autoras estão conscientes do que é envelhecer dentro da cidade de São Paulo atualmente sem perder o lado subjetivo da vida e a essência do ser.

 

Me parece que elas não passam pela cidade, que os olhares não são olhares automotivos. São pessoas que conseguem enxergá-la a fundo, com olhos de observadores. Nada foge da observação dos olhares, das leituras a respeito da cidade. Pessoas que não passam pela cidade, mas que pertencem a ela, que têm o olhar da experiência.

Esses olhares e essas passagens que, nós, mais jovens, não sabemos fazer, realizar, talvez por estarmos tão envolvidos no corre-corre, por não termos esse olhar que podemos chamar de “olhar da vivência”.

Acredito, e muito, que está na hora de pararmos e repensarmos nossas vidas, nosso corre-corre, senão, não chegaremos a fazer essa leitura da cidade no nosso envelhecimento, pois morreremos antes. É um outro olhar. Um olhar de observador

Temos um outro olhar a respeito da cidade. um olhar daquele que vivência, focado na velocidade/passagem, enquanto que os que a experimentam, têm um olhar baseado no espaço/memória. Não percebemos, não pertencemos, nem observamos a cidade, apenas passamos por ela. Mesmo assim nos sentimos donos dela.

.Cristina Fogaça

2000