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Aula proferida no curso do Projeto "Educar para Capacitar e Desenvolver" -  em julho de 2006.

Primeiro precisamos definir o que é Coordenador de Grupo (AGENTE COMUNITÁRIO) qual o seu papel e o que entendemos por Comunidade

TODO GRUPO É UMA COMUNIDADE?

 

Antes de responder a esta pergunta, acho importante discutir que conceito adoto de comunidade, pois sei que são muitos os conceitos dados ao termo COMUNIDADE.

Quero aqui discutir e refletir sobre algumas noções relativas ao conceito de comunidade.

A comunidade é uma estrutura aberta, um ponto de vista local/global que envolve o conhecimento e a vida, o trabalho e o prazer sempre em processo de devir, da opacidade e da violência para a transparência e o diálogo, tanto nas relações intracomunitárias como nas relações intercomunitárias. São elementos que constituem do princípio da comunidade: a SOLIDARIEDADE como criação incessante de subjetividade e intersubjetividade, a PARTICIPAÇÃO como um processo de democratização emancipatória, na conquista permanente de espaços novos e de formas novas de cidadania individual e coletiva e o PRAZER, como fonte de decorrência da convivalidade.

Weber, Max autor clássico, aponta para a idéia de comunidade articulada a de relação social. Diz Weber: chamamos de comunidade a uma relação social quando a atitude na ação social - no caso particular, em termo médio ou no tipo puro - inspira-se no sentimento subjetivo (afetivo ou tradicional) dos partícipes da constituição de um todo.(Weber, Max, pg140,1973)

Diz ainda o referido autor: ...a imensa maioria das relações social participa em parte da “comunidade” e em parte da “sociedade”.....nem toda participação comum em determinadas qualidades, da situação ou da conduta, implica em comunidade. Comunidade só existe propriamente quando, sobre a base desse sentimento (da situação comum e de suas conseqüências), a ação está reciprocamente referida - não bastando à ação de todos e de cada um deles frente à mesma circunstância - e na medida em que esta referência traduz o sentimento de formar o todo. (pg.142)

Ou seja, para que o indivíduo sinta-se viver em comunidade, é necessário sentir-se pertencente a e não apenas viver em. Ele só fará parte e só será uma comunidade para o indivíduo se o pertencer a ocorrer.

Hoje sabemos que os valores que subjazem ao princípio da comunidade são:

cooperação,ato ou efeito de cooperar para um fim comum

 solidariedade responsabilidade mútua,reciprocidade de interesses e obrigações

participação, A participação terá êxito se os usuários estiverem organizados, na medida em que o maior desafio é o de garantir a sua autonomia face ao Poder Público. Cabe a este criar condições de articulação e participação cedendo espaços no processo decisório e garantindo um envolvimento e uma interação mais articulada com os grupos comunitários. Em relação às políticas públicas e às estratégias de participação, corre-se o risco de estabelecer relações mecânicas e utilitaristas entre discurso e ação.

Equidade:imparcialidade

Transparência:

Democracia interna: Viver democracia, é acima de tudo, viver o pluralismo, a incerteza e aceitar as divergências.

No âmbito da gestão local participativa, a democracia não significa meramente a chamada democracia representativa (eleições diretas para o executivo e o legislativo com suas atribuições específicas). Em primeiro lugar, trata-se de avançar na perspectiva da melhoria das condições de vida da população. Em segundo lugar, trata-se de incluir na esfera dos direitos, além daqueles referidos à cidadania, também e principalmente o direito à participação popular direta nas questões municipais, através dos movimentos sociais autônomos em relação à prefeitura.

Não dá para fazer isoladamente uma comunidade sem interelacionar indivíduo, comunidade e sociedade.

Com Maria Lúcia Carvalho da Silva pode-se acrescentar que comunidade é uma estrutura aberta, um ponto de vista local/global que envolve o conhecimento e a vida, o trabalho e o prazer sempre em processo de devir, de opacidade e da violência para a transparência e o diálogo, tanto nas relações intracomunitárias como nas relações intercomunitárias. São elementos constitutivos do princípio da comunidade, a solidariedade como criação incessante de subjetividade e intersubjetividade, a participação como um processo de democratização emancipatória, na conquista permanente de espaços novos e de formas novas de cidadania individual e coletiva e o prazer, como fonte e decorrência da convivalidade (Silva, Carvalho M.L.,pg.33, 1996)

Hoje, segundo Alan Wolfe, existem três caminhos para o desenvolvimento: Mercado, Estado e principalmente a participação da Sociedade Civil.

Para ele, “tanto a importância quanto à precariedade da sociedade civil, nas sociedades avançadas estão amplamente ilustradas pelo conceito de comunidade. Entende-se, há muito, que as pessoas vivem em bairros que, por um lado, oferecem alívio às pressões de interesse próprio prevalecente no mercado e, por outro lado, não são tão burocráticas e impessoais quanto um Estado distante. Dadas às limitações orçamentárias fiscais vividas no Ocidente, os governos, especialmente os de natureza conservadora, tentam se apoiar, cada vez mais, nas comunidades locais, para executar certas tarefas, na crença teórica de que, assim agindo, serão mais democráticos e gastarão menos. Mas, de novo, é questionável a força que os bairros e os governos locais tem” (Wolfe, A. pg44, 1991)

Diz ainda Wolfe; “...Mas, se pensarmos a sociedade civil como o lugar onde o poder reside, o campo onde as pessoas desenvolvem capacidades, que lhes permitirão desempenhar um papel nas escolhas políticas e econômicas, que suas sociedades deverão fazer, então, estamos preparando o terreno para um caminho social de desenvolvimento, que pode complementar o político e o econômico”.(Wolfe. A. pg.46,1991).

 

O GRUPO é uma comunidade?

O GRUPO democrático, para tornar-se uma comunidade requer que em sua estrutura haja espaços, que permitam tanto ao coordenador do grupo quanto aos participantes do mesmo, sua plena realização, como base do processo sócio político que gere e efetive a sociedade democrática/participativa.

Sabemos que os valores inerentes ao princípio da comunidade, como já foi citado, são: cooperação, solidariedade, participação, equidade, transparência e democracia interna.

Se não houver espaço onde os integrantes que freqüentam o grupo possam desenvolver os valores acima citados, onde possa haver a realização plena da individualidade humana, se o indivíduo não se sentir pertencente a ele, podemos dizer que o grupo não conseguiu se tornar uma comunidade, continuando a ser apenas um grupo. É importante ressaltar que não necessariamente ele é uma comunidade para todos os seus integrantes. Ele só é uma comunidade para aqueles que se sentem pertencentes a ele.

O GRUPO deve realizar um papel intermediador entre Sociedade e Estado. Deve propiciar condições para que as pessoas que a freqüentam possam participar de decisões que lhe dizem respeito, de debates políticos para maiores esclarecimentos de campanhas sociais e solidárias, de campanhas de saúde etc...

O GRUPO deve também fazer um trabalho de conscientização e de desenvolvimento de cidadania, devendo e podendo até mesmo cooperar com a descentralização de obrigação do governo e participação da sociedade civil.

Dentro da comunidade e como comunidade, ele exerce a mudança de pensamento junto às pessoas, através de sua prática.

É importante que o indivíduo seja visto como um todo e não neste ou naquele papel. É dentro do grupo que o indivíduo se desenvolve, desenvolve suas potencialidades, suas relações com o meio e com o outro, sua cidadania, participa, coopera. Precisa ainda ser trabalhado a solidariedade, que ainda é muito pouco trabalhada.

Não devemos esquecer que a participação também é de suma importância para que a democratização grupal ocorra para torná-la uma comunidade.

A partir do momento que ocorre a descentralização das resoluções e obrigações por parte do coordenador do grupo, que há a participação de todas as pessoas envolvidas no grupo, há uma aproximação democrática na administração dos indivíduos, criando dentro do possível, os meios para uma interação mais intensa na complexa dinâmica que caracteriza o grupo.

 

O COORDENADOR DE GRUPO (AGENTE COMUNITÁRIO) E SEU PAPEL

A expressão “AGENTE COMUNITÁRIO”  pode ser identificado com outras inúmeras e diferentes expressões, tais como: educadores sociais, animadores, monitores, auxiliares da comunidade, educadores populares, técnicos de desenvolvimento de comunidade, agentes externos, agentes locais, líderes comunitários, agentes de pastoral, agentes de promoção humana, AGENTES MULTIPLICADORES, COORDENADORES DE GRUPOS, agentes da saúde, agentes de mudanças, etc...

         O enfoque da questão não é simplesmente educativo, pedagógico, mas essencialmente político. Trata-se do uso do poder dos agentes e do uso do poder dos grupos populares. Durante muito tempo os grupos populares foram considerados objetos da prática dos agentes.

         O termo refere-se a TODO AQUELE QUE TEM UMA FUNÇÃO DE EDUCAÇÃO E ARTICULAÇÃO JUNTO `AS CAMADAS POPULARES, QUE TEM UM TRABALHO DIRETO COM ESTAS. Se alguém é, ou se torna agente, é porque tem algo a oferecer ao povo, tem uma contribuição particular a dar à sua caminhada. (Ma. Lúcia de Carvalho)

         As atribuições e relações distintas do AGENTE e dos GRUPOS ou CAMADAS POPULARES se estabelecem a partir das condições históricas determinadas, NÃO EXISTINDO MODELOS DEFINITIVOS.

         Entende-se aqui por CAMADAS POPULARES: aquelas que abrangem faixas da população que se definem por sua inserção  na sociedade (operários, camponeses, comerciários, desempregados etc.) e por GRUPOS POPULARES as pessoas pertencentes a estas camadas que participam de atividades ou práticas comunitárias.

No que tange à comunidade, ela se coloca em relação ao trabalho popular como a grande mediação pedagógica - mediação como espaço e como instrumento de conscientização, participação, solidariedade e mobilização.

Podemos falar do “coordenador de grupo” como o “agente comunitário” dentro do grupo. Aliás, não só o coordenador, mas todos que trabalham diretamente com o grupo.

O grupo deve ser um local comunitário de reflexão onde as pessoas possam refletir sobre o seu próprio envelhecimento. É um espaço privilegiado que as pessoas tem para pensar. No grupo, as pessoas estão aprendendo a pensar sobre o seu próprio envelhecimento e o envelhecimento das outras pessoas. Essa reflexão leva a uma mudança tanto de comportamento quanto a uma mudança cultural na forma de ver o envelhecimento e o velho.Refletir sobre seus problemas e suas necessidades.

Ao mesmo tempo, o grupo deve ser o local que exerce o papel intermediador entre Comunidade e Estado, proporcionando a participação das pessoas em debates diretos com políticos; promovendo Campanhas de Vacinação, de Agasalhos; promovendo debates entre os idosos e as organizações governamentais, enfim, fazendo um trabalho de conscientização e de desenvolvimento de cidadania. Como diz Maria Lúcia Carvalho, aqui acontece a mediação pedagógica.

É comum distinguir-se os agentes comunitários em “agentes internos”. O agente interno é aquele que pertence ao próprio meio onde se realiza a atividade comunitária (ex: um agente morador de favela que realiza a sua prática comunitária no próprio local de moradia). O agente externo em geral é de classe média e pertence a uma instituição em nome da qual exerce sua atividade. O fato de um morador ou alguém da localidade ser reconhecido como agente pelos demais moradores já o distingue dos demais.

A formação do coordenador externo, pode ser realizado na própria Instituição à qual pertence, em centros de treinamento ou universidades

A formação do coordenador local pode ser feita em centros comunitários ou de bairro, em escolas, igrejas, sindicatos etc...

As formas em geral utilizadas para a formação dos coordenadores de grupos são cursos, seminários, jornadas de estudos e reflexão, ciclo de palestras etc..

Dentre as técnicas de maior utilização pelos coordenadores de grupos deve-se salientar a de diálogo, reflexão, entrevista, dinâmica de grupos, reunião, assembléia e a habilidade de lidar com conflitos e contradições que serão adequados por eles de acordo com as peculiaridades de cada experiência ou situação.

 

CONCLUSÃO:

 

COMO PENSAR HOJE A FORMAÇÃO E O TREINAMENTO DOS AGENTES COMUNITÁRIOS

 

A expressão “AGENTE COMUNITÁRIO”  pode ser identificada com outras inúmeras e diferentes expressões, tais como: educadores sociais, animadores, monitores, auxiliares da comunidade, educadores populares, técnicos de desenvolvimento de comunidade, agentes externos, agentes locais, líderes comunitários, agentes de pastoral, agentes de promoção humana, AGENTES MULTIPLICADORES, COORDENADORES DE GRUPOS, agentes da saúde, agentes de mudanças, etc...

         O enfoque da questão não é simplesmente educativo, pedagógico, mas essencialmente político. Trata-se do uso do poder dos agentes e do uso do poder dos grupos populares. Durante muito tempo os grupos populares foram considerados objetos da prática dos agentes.

         O termo refere-se a TODO AQUELE QUE TEM UMA FUNÇÃO DE EDUCAÇÃO E ARTICULAÇÃO JUNTO `AS CAMADAS POPULARES, QUE TEM UM TRABALHO DIRETO COM ESTAS. Se alguém é, ou se torna agente, é porque tem algo a oferecer ao povo, tem uma contribuição particular a dar à sua caminhada.

         As atribuições e relações distintas do AGENTE e dos GRUPOS ou CAMADAS POPULARES se estabelecem a partir das condições históricas determinadas, NÃO EXISTINDO MODELOS DEFINITIVOS.

         Entende-se aqui por CAMADAS POPULARES: aquelas que abrangem faixas da população que se definem por sua inserção  na sociedade (operários, camponeses, comerciários, desempregados etc.) e por GRUPOS POPULARES as pessoas pertencentes a estas camadas que participam de atividades ou práticas comunitárias.

         No que tange à COMUNIDADE, ela se coloca em relação ao trabalho popular. Como a grande mediação pedagógica – mediação como espaço e como instrumento de conscientização, participação, solidariedade e mobilização.

         É comum distinguir-se os agentes comunitários em “agentes internos”. O agente interno é aquele que pertence ao próprio meio onde se realiza a atividade comunitária (ex: um agente morador de favela que realiza a sua prática comunitária no próprio local de moradia). O agente externo  em geral é de classe média e pertence a uma instituição em nome da qual exerce sua atividade. O fato de um morador ou alguém da localidade ser reconhecido como agente pelos demais moradores já o distingue dos demais.

Cabe lembrar que tão importante quanto os conhecimentos científicos e técnicos do coordenador é sua disponibilidade para ouvir e se comunicar com os grupos populares, oferecer-lhes meios de refletir e questionar a realidade, respeitar seus valores, suas expectativas e propostas de ação. Para tanto, deve o coordenador estimular os grupos a um permanente processo de troca de conhecimentos e vivências que gere um novo conhecimento transformador que fundamente, de fato, um crescimento de todos e um aprendizado para a tomada de decisões coletivas.

A título de um rápido preâmbulo é necessário esclarecer alguns pontos a saber:

 “É IMPORTANTE RESSALTAR QUE TODO COORDENADOR QUE DESEJA ATUAR COM A COMUNIDADE NECESSITA FAZER UMA OPÇÃO PESSOAL DE SE COMPROMETER EFETIVAMENTE COM AS CAMADAS E GRUPOS POPULARES, COM OS QUAIS PROCURARÁ SE IDENTIFICAR PELA CONSCIÊNCIA E PELA PRÁTICA”

CABE AO AGENTE REFORÇAR O SABER POPULAR DE CAMINHAR “JUNTO” COM OS GRUPOS POPULARES, NEM ATRÁS, NEM À FRENTE DESTES, O QUE PERMITIRÁ O MÚTUO APRENDIZADO. PARA O AGENTE O PROCESSO DE APRENDIZAGEM DEVE SER ENTENDIDO COMO CONTÍNUA DESCOBERTA, COMO BUSCA DE ACESSO AO DESCONHECIDO QUE SÓ SE CONCRETIZA NO FAZER, NA PRÁTICA DO DIA-A-DIA, QUE NÃO TÊM FÓRMULAS NEM RECEITAS PRONTAS, SENDO UM DESAFIO A ELE E AOS GRUPOS POPULARES

 

Primeiramente, é importante ressaltar que todo agente que deseja atuar com a comunidade necessita fazer uma opção pessoal de se comprometer efetivamente com os interesses das camadas e grupos populares, com os quais procurará se identificar pela consciência e pela prática.

Pode-se dizer que o agente é o resultado de sua formação escolar, de sua vida na sociedade e de sua prática dentro das profissões ou ocupações em suas múltiplas atividades. Um agente que queira ser crítico, consciente,participante deve conhecer a realidade, e o ser humano numa visão de totalidade, o que ele só irá conseguir no esforço cotidiano de toda sua vida e não de repente, num determinado momento.

Uma  identificação do agente pela consciência com as camadas e grupos populares exige:

a-                        conhecimento mais preciso dessas camadas e grupos populares, sua origem, sua organização, seu funcionamento, sua direção, suas práticas econômicas, políticas e ideológicas, suas estratégias de sobrevivência;

b-                       a valorização do saber popular – seus conhecimentos, símbolos, expressões, produtos culturais;

c-                        a luta pela construção de uma nova sociedade na qual as camadas e grupos populares possam efetivamente participar do processo de transformação social.

 

Uma identificação do agente pela prática exige:

a-    uma luta constante contra a manipulação, o autoritarismo, o individualismo, o paternalismo, o prestígio pessoal, a imposição de idéias;

b-   o estar a serviço das associações,grupos e movimentos populares oferecendo suas informações, suas técnicas, sua especialização;

c-    o fortalecimento de instituições e organizações populares no sentido democrático de sua constituição, funcionamento e forma de decisão e ação coletiva;

d-   o desenvolvimento de metodologias e de instrumentos pedagógicos eficazes à conscientização e à participação política.

Dentro desse perfil do agente comunitário fica evidente que são outras, diferentes, suas relações com as camadas e grupos populares. São relações de complementariedade e de reciprocidade que levam o agente à não sair do palco, mas a perder seu papel principal de ator que assumia antes.

 

É imprescindível que essa ênfase do papel do agente mude para que se possa falar de autonomia, poder e controle do processo educativo e de ação comunitária pelos próprios grupos populares.

Trata-se de ser coerente com o reconhecimento da possibilidade dos grupos populares aprenderem por si mesmos, de se libertarem por si mesmos,de construírem a história.

Cabe ao agente reforçar o saber popular de caminhar “JUNTO” COM OS GRUPOS POPULARES, nem atrás, nem à frente destes, o que permitirá o mútuo aprendizado. Para o agente o processo de aprendizagem deve ser entendido como contínua descoberta, como busca de acesso ao desconhecido que só se concretiza no fazer, na prática do dia-a-dia, que não têm fórmulas nem receitas prontas, sendo um desafio a ele e aos grupos populares.

 

A aprendizagem, assim, se dá mais com a experiência vivida por ambos do que com a mera transmissão de conhecimentos pelo agente. Tudo isso significa que o agente precisa estar atento às expressões de capacidade criadora dos grupos populares que se manifesta em músicas, danças, comidas, formas de luta, formas de resistência, formas de sobrevivência, conceitos próprios, etc.,porque é nessas manifestações culturais que se situa o potencial transformador da sociedade. Contudo, essa compreensão nova do papel do agente não deve levar ao extremo oposto de se pensar que “só o povo sabe” , pois seria cair no basismo, posição tão distorcida quanto à do elitismo intelectual.

Nessa reciprocidade de relações e de aprendizagem entre o agente e os grupos populares há assim, contribuições próprias de um lado e de outro.

 

Da parte do AGENTE, pode-o contribuir com os grupos populares de diversos modos, a saber:

a-    Ensinar, no sentido simples de comunicar elementos ou dados culturais vários, que sejam do interesse dos grupos populares. Entre esses elementos e dados estão informações sobre a história passada do povo, sobre a situação atual, principalmente no que se refere às lutas populares, com seus erros e acertos. Esta comunicação, porém, pode ser realmente apropriada pelos grupos populares em função de seus interesses próprios só pode se processar em termos de uma conscientização, ou seja, deve visar que os grupos populares sejam sujeitos de seu próprio desenvolvimento. Nada, pois, de informações que os grupos populares não peçam, nem precisem;

b-   Assessorar técnica e profissionalmente os grupos populares em seus problemas concretos nas áreas jurídica, social, econômica, médica etc.. Aqui também se deve dizer que tal contribuição deve estar submetida aos interesses dos grupos populares. Assim, nada de prestação de serviços impostos de cima e de fora, de modo assistencialista e dirigista.

c-    Formular explicitamente os problemas dos grupos populares na forma de questões, visando à identificação de seus interesses reais;

d-   Sistematizar, ou seja, reunir de forma lógica, as vivências e práticas dos grupos populares na medida em que já foram elaboradas, transmitidas e sistematizadas por eles em sua forma própria, do seu jeito. Nada, portanto, de enfiar na cabeça dos grupos populares teorias pré-construidas. Estas, quando apresentadas aos grupos populares, devem ser submetidas a um processo de recriação e reelaboração a partir do material por eles vivido.

e-    Favorecer a união, a solidariedade entre os grupos populares e suas formas autônomas de organização e luta, a partir da sua situação vivida em sua consciência atual e nunca a partir da situação em que os grupos populares deveriam estar segundo a idéia do agente.

 

Da parte dos GRUPOS POPULARES podem eles contribuir com o agente, não pela transmissão do saber teórico,mas pela transmissão de sua prática econômica, social e política no cotidiano de sua existência. E o que essa prática mostra? Mostra a capacidade de sacrifício, de luta, dos interesses e desejos, da força de mobilização frente aos problemas, das formas de organização criadas, das esperanças, dos sonhos de vencer a marginalização em que vivem etc...

Assim, o saber dos grupos populares é um saber de vida, de experiência e de prática. Sua contribuição principal é a sabedoria de vida, o senso de realidade, a paciência, a práxis histórica, enquanto a do agente é a ciência das coisas.

 
 BIBLIOGRAFIA

DA SILVA, Maria Lucia de Carvalho. Alguns elementos conceituais em torno de um processo de gestão pública participativa local. Caderno do Núcleo de Estudos pós-graduados em Serviço Social - PUC/São Paulo,1996

_____________________________A formação dos agentes comunitários in Solidariedade - (não foi possível completar os dados, pois é xerox da Pasta 17 C.A. Filosofia e a autora encontram-se ausente de sua residência e não pode me passar os dados)

FOGAÇA, Maria Cristina Costa Braga Hortelli. Reflexões sobre Envelhecimento – Faculdade Aberta para a Terceira Idade Costa Braga. EDITORA LTr, São Paulo, SP,2001

SAWAIA, Bader Burihan. Comunidade: A apropriação científica de um conceito tão antigo quanto a humanidade. Psicologia Social Comunitária da solidariedade à autonomia. EDITORA Vozes, Petrópolis-RJ,1996

WEBER, Max. Comunidade e sociedade como estrutura de socialização. In Comunidade e Sociedade, organizador Florestan Fernandes. Companhia Editora Nacional - Editora USP SP,1973

WOLFE, Alan. Três caminhos para o desenvolvimento: mercado, estado e sociedade in: A democracia como proposta. Coleção Democracia - volume 1 - IBASE, Rio de Janeiro, 1991.